Bahia segue como único estado com mais de 1 milhão de analfabetos e concentra 13,7% do total nacional
A Bahia permanece como o estado brasileiro com o maior número de pessoas que não sabem ler nem escrever. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação 2025, divulgados na sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 1,145 milhão de baianos com 15 anos ou mais são analfabetos. O contingente representa 13,7% dos 8,384 milhões de analfabetos registrados no país e faz da Bahia a única unidade da federação a ultrapassar a marca de 1 milhão de pessoas nessa condição.
Embora o estado tenha registrado redução de 2,5% em comparação com 2024, quando havia 1,174 milhão de analfabetos, o equivalente a uma diminuição de aproximadamente 29 mil pessoas, os indicadores seguem acima da média nacional. Em 2025, a taxa de analfabetismo da população baiana com 15 anos ou mais alcançou 9,5%, enquanto o índice nacional caiu para 4,9%, o menor já registrado pelo IBGE.
O levantamento mostra que a Bahia mantém ampla diferença em relação aos estados que aparecem na sequência do ranking nacional em números absolutos. O Ceará contabilizou 823 mil pessoas analfabetas, enquanto Pernambuco registrou 763 mil.
Apesar da liderança em números absolutos, a Bahia não apresenta a maior taxa proporcional de analfabetismo do país. O estado ocupa a oitava posição nesse indicador. Alagoas e Piauí registraram as maiores taxas nacionais em 2025, ambas com 13,1%, seguidos pela Paraíba, com 11,6%.
A análise dos dados revela que o analfabetismo baiano está concentrado principalmente entre a população idosa. Dos 1,145 milhão de analfabetos registrados no estado, cerca de 718 mil têm 60 anos ou mais, o que corresponde a 62,7% do total. Nessa faixa etária, a taxa de analfabetismo alcança 28,5%, mais que o dobro da média brasileira para pessoas da mesma idade, estimada em 13,8%.
Na prática, os números indicam que aproximadamente um em cada três idosos baianos não sabe ler nem escrever. O cenário evidencia o impacto de desigualdades educacionais acumuladas ao longo de décadas e mostra que o analfabetismo permanece fortemente associado às gerações mais velhas.
A diferença entre os indicadores da Bahia e os do restante do país também aparece em outras faixas etárias. Entre as pessoas com 25 anos ou mais, a taxa de analfabetismo chega a 11,6%, enquanto a média nacional é de 5,8%. Já entre aqueles com 40 anos ou mais, o índice atinge 16,3% no estado, frente aos 8,3% registrados nacionalmente.
Os dados apontam ainda equilíbrio entre homens e mulheres entre a população analfabeta baiana. Do total contabilizado, 588 mil são homens, o equivalente a 51,4%, e 556 mil são mulheres, correspondendo a 48,6%. Considerando as taxas proporcionais, o analfabetismo permanece ligeiramente maior entre os homens, com 10,3%, contra 8,8% entre as mulheres.
O levantamento nacional evidencia que o analfabetismo está cada vez mais concentrado na população idosa. Em todo o Brasil, pessoas com 60 anos ou mais representam 58% dos analfabetos do país, totalizando cerca de 4,9 milhões de pessoas. Entre a população de 15 a 59 anos, a taxa nacional de analfabetismo é de apenas 2,6%.
Os resultados da Pnad Contínua Educação 2025 também mostram que as metas previstas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para a erradicação do analfabetismo não foram alcançadas. A Meta 9 previa a redução da taxa para 6,5% até 2015 e a erradicação do problema até o fim de 2024. Em 2025, 11 unidades da federação ainda não atingiram sequer a meta intermediária, incluindo todos os nove estados do Nordeste, além de Acre e Tocantins.
Mesmo diante desse cenário, o Brasil registrou avanço histórico. Pela primeira vez, a taxa nacional de analfabetismo ficou abaixo de 5%, alcançando 4,9%. Segundo parâmetros internacionais adotados por organismos como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), índices inferiores a 5% indicam que o analfabetismo deixou de ser um problema estrutural em escala nacional. Os dados, entretanto, mostram que a realidade permanece desigual entre as regiões brasileiras, especialmente no Nordeste.
Fonte Mais Região
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