'Disse que se eu não fosse dele, não ia ser de mais ninguém': jovem denunciou ex antes de ser morta

 

Suspeito teve a prisão revogada cerca de duas semanas antes da morte de Iana Silva Santos


Iana Silva Santos foi encontrada morta nesta quinta-feira (21) Crédito: Reprodução/ Redes sociais/ TV Bahia

Cerca de três meses antes de ser morta dentro da própria casa, no bairro de Alto de Coutos, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, a jovem Iana Silva Santos, de 25 anos, denunciou ter sido agredida e ameaçada de morte pelo ex-namorado. Jonatas dos Santos Moreira, de 29 anos, chegou a ser preso, mas teve a prisão revogada no dia 7 de maio.

De acordo com denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA) à Justiça baiana, Jonatas teria invadido a casa de Iana em 13 de fevereiro deste ano e a agredido com socos e chutes. Na ocasião, a vítima relatou que foi ameaçada de morte com uma faca pelo ex-companheiro e coagida a prometer que reataria o relacionamento para que ele a levasse ao hospital.

“Desde a segunda-feira eu tinha me separado dele. Ele estava na residência dos pais dele e eu pedi apenas que continuasse morando lá e me deixasse viver minha vida. Só que ele disse a mim que, se eu não fosse dele, eu não ia ser de mais ninguém”, disse Iana em depoimento.
No relato, ela contou que o ex-companheiro não aceitava o fim do relacionamento e que, durante as agressões, “a acusava de traição”.

A jovem acreditava que Jonatas havia feito uma cópia da chave de sua casa, pois, mesmo após devolvê-la, entrou no imóvel sem consentimento por volta das 4h da manhã. Jonatas negou a acusação e afirmou em juízo que “tinha a chave da vítima, pois nunca terminaram”.

Após as agressões, Jonatas levou Iana para a casa do irmão dele, que “prestou socorro imediato, conduzindo-a à UPA [Unidade de Pronto Atendimento] de Periperi”.

Jonatas foi condenado pelas agressões a dois anos de reclusão em regime aberto. A execução da pena, no entanto, foi suspensa pela Justiça e substituída pela prestação de serviços à comunidade. A decisão é do dia 7 de maio, cerca de 13 dias antes da morte de Iana.

A jovem foi encontrada morta com golpes de faca dentro de casa nesta quinta-feira (21). Segundo informações da TV Bahia, o suspeito invadiu o imóvel pelo telhado e a atacou. Ela chegou a ser socorrida para o Hospital do Subúrbio, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo familiares, Iana e Jonatas mantiveram um relacionamento de aproximadamente seis anos, mas estavam separados.

Iana trabalhava na área de manutenção da OT-Trans. Em nota, o Sindicato dos Rodoviários de Salvador lamentou a morte da jovem. “Que sua história não seja esquecida e sirva de alerta na luta contra a violência contra a mulher.”

Em uma publicação nas redes sociais, a irmã da jovem lamentou o crime. “Sempre lembrarei de ti assim, como neste dia em que esta foto foi tirada. Eu te amo, minha irmã”, escreveu Ilana na legenda de uma foto em uma celebração familiar.
Na publicação, ela afirmou que sempre lembrará de Iana como uma “pessoa brilhante, que sempre conseguiu tudo o que queria, e um pouco mais”.

“Hoje eu conheci uma dor que eu nunca deveria ter conhecido, uma revolta que eu nunca deveria ter sentido. Hoje a minha família chora, igualmente ou pior do que foi quando aconteceu o: ‘Ufa, obrigada, Deus, por ser apenas um atendimento’. Hoje, 21/05/2026, não posso dizer a mesma coisa. Infelizmente, choramos a sua partida e a dor da impunidade, que tem nome e cara”, escreveu.

O caso deve ser investigado pela Polícia Civil como feminicídio.

Fonte  Correio

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