'Tá ficando branco o lábio dela': PM cobra resgate enquanto mulher baleada agoniza por 30 minutos
Um dos policiais que acompanhavam a ocorrência chegou a cobrar a chegada da ambulância
Yasmin atirou e matou Thawanna Crédito: Reprodução
Após ser atingida por um tiro disparado por uma policial militar, a ajudante geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, passou mais de 30 minutos agonizando no chão da rua. Um dos policiais que acompanhavam a ocorrência chegou a cobrar a chegada da ambulância de resgate, enquanto outros agentes prestavam os primeiros socorros.
“Já tá ficando branco o lábio dela, cadê o resgate? Copom, reitera o resgate para a Edimundo Audran”, questionou o soldado Weden Silva Soares, em uma das gravações registradas pela câmera acoplada ao uniforme.
Thawanna foi baleada pela policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, na Zona Leste da capital paulista, na madrugada do dia 3 de abril. Segundo informações do portal g1, o disparo foi efetuado às 2h59. Imediatamente, o soldado Weden Soares acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), solicitando o resgate.
O Corpo de Bombeiros foi acionado pela primeira vez às 3h04. Dois minutos depois, uma viatura foi deslocada, mas, às 3h12, precisou ser substituída por outro veículo. O novo deslocamento levou mais cinco minutos para sair, chegando até a vítima às 3h30.
Thawanna foi levada para a ambulância, que deixou o local às 3h37. Três minutos depois, às 3h40, ela chegou ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. A vítima teve hemorragia interna aguda e morreu em decorrência da perda excessiva de sangue.
Defesa
A defesa da policial Yasmin Cursino Ferreira afirmou que a soldado “agiu dentro da lei” ao efetuar o disparo que matou Thawanna. Ao portal Uol, advogado Alexandre de Souza Guerreiro afirmou que a policial efetuou apenas um disparo para se defender e solicitou socorro logo após o tiro. A soldado já prestou depoimento ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz a investigação sobre o caso. Ela alega que agiu porque Thawanna teria avançado contra ela e dado um tapa no rosto, além de ter tentado pegar sua arma.
“O que temos a dizer é que ela agiu dentro da lei, efetuou um único disparo e solicitou socorro imediatamente”, afirmou o advogado. Falando ao portal G1, ele ainda afirmou que a PM se viu em meio a uma "escalada de agressões". "Estando no exercício da função, ela foi agredida e efetuou um único disparo para cessar a escalada de agressões por parte da vítima", acrescentou. "Importante pontuar que a equipe acionou o socorro imediatamente e deu ciência as autoridades competentes".
Marido contesta versão e fala em demora no socorro
A versão apresentada pela defesa é contestada pelo marido da vítima, Luciano Gonçalves Santos. Ele afirma que a esposa demorou mais de 30 minutos para receber atendimento após ser baleada e diz que foi impedido de acompanhá-la na ambulância.
Segundo Luciano, ele tentou permanecer ao lado da companheira durante o atendimento, mas foi afastado pelos policiais ainda no local da ocorrência. “Quando eu olhei, vi o Samu, daí tranquilizei. Daí o Samu pegou, levou ela. Não deixaram eu ir com a minha mulher. Eu nunca mais vi minha mulher. Não deixaram. Eu queria ir na ambulância. Meu sonho era tá do lado dela ali e acompanhar até o hospital. Eu não sei o que aconteceu aquela noite. O que eles queriam comigo.”
Ele também nega que Thawanna tenha tentado pegar a arma da policial, como relatado pela defesa.
Fonte Correio
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