ASSISTA: Jornalista manda recado para desembargadora que reclamou de salário de juízes e falou em “escravidão”: “pede pra sair”
Eva do Amaral Coelho mencionou que juízes enfrentam dificuldades para pagar médicos e remédios |
Reprodução
A reclamação de uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA) aos cortes nos chamados “penduricalhos” da magistratura gerou reação imediata na TV. No Jornal da Band, Eduardo Oinegue rebateu a fala e disparou: “pede para sair”.
A magistrada apontou que juízes sofrem com baixo “salário baixo” e, em breve, pode entrar para o “regime de escravidão”.
Durante o Jornal da Band, nesta segunda-feira (20), o jornalista Eduardo Oinegue dedicou seu comentário à declaração de Eva do Amaral Coelho. Não economizou ironia. Nem recado.
"A desembargadora Eva do Amaral Coelho, ela está desapontada com a remuneração. Depois de 35 anos de carreira, ela recebeu em março agora, só R$ 91 mil líquidos, que ela acha pouco."
Oinegue relembrou o trecho mais sensível da fala da magistrada — quando ela mencionou dificuldades financeiras entre juízes — e disse que, à primeira vista, achou que se tratava de uma piada.
"Ela disse que tem juiz sem dinheiro para pagar médico, sem dinheiro para comprar remédio e brilhou quando ela disse que daqui a pouco vai ter juiz trabalhando em regime de escravidão. Teve gente que ficou indignada, eu já achei engraçado, porque no primeiro momento achei que fosse piada."
“Pede pra sair”
A partir daí, o comentário tomou outro rumo. O jornalista passou a comparar a estabilidade da magistratura com a realidade da advocacia privada, e sugeriu, de forma direta, que quem estiver insatisfeito pode deixar o cargo.
"Mas é o seguinte: a lei, ela proíbe demitir um magistrado, mas não proíbe que um magistrado peça demissão. Então a desembargadora e outros juízes que se sentem quase escravizados, eles podem ir embora. Vão embora amanhã cedo! Podem procurar emprego num escritório de advocacia. Tá cheio de escritório por aí em busca de pessoas talentosas, pessoas experientes."
Ele seguiu detalhando a rotina fora do serviço público, destacando ausência de benefícios e maior exposição a riscos financeiros.
"Só tem uma coisa: no escritório não tem quinquênio, não tem férias de 60 dias, não tem recesso. O vencimento depende da produtividade. O advogado prospecção cliente, negocia, cobra, perde, divide, paga aluguel do escritório, paga equipe, recolhe imposto até sobre a nota que emitiu e que não foi paga."
No fechamento, reforçou o tom crítico,agora direcionado diretamente à desembargadora. "Para entrar na magistratura, só por concurso. Agora, para sair, é só preencher uma cartinha. Eva, você está mesmo chateada? Mas muito chateada? Pede para sair. Aliás, você não tem que pedir não: só sair mesmo."
O que motivou a reação
A declaração que provocou a repercussão veio de um vídeo em que Eva do Amaral Coelho comenta cortes em verbas e relata impactos no cotidiano de magistrados. Entre os pontos citados, a dificuldade de colegas em arcar com despesas médicas e a crítica ao uso do termo “penduricalhos” para benefícios da categoria.
“Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de dentistas porque não vão poder pagar consulta, outros estão deixando de tomar remédios.”
Ela também descreveu a carga de trabalho fora do expediente e mencionou a retirada de auxílios, antes de fazer o alerta que gerou maior repercussão:
“Não temos direito a auxílio-alimentação, não temos direito a essa tal gratificação por direção de foro, vocês cortaram, cortaram... Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão.”
Remuneração na magistratura
Dados do Tribunal de Justiça do Pará indicam que o salário inicial de um juiz substituto gira em torno de R$ 35,8 mil, podendo ultrapassar R$ 41,8 mil no topo da carreira. Benefícios e adicionais variam conforme a função e a situação de cada magistrado, com valores detalhados no portal de transparência.
Fonte Bnews
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