FPF repudia fala machista de jogador do Bragantino e promete providências


Federação se posicionou após Gustavo Marques, zagueiro do Massa Bruta, disparar contra a árbitra Daiane Muniz após a eliminação para o São Paulo


Gustavo Marques comemorando gol no jogo contra o São Paulo pelas quartas de final do Paulistão  • Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Federação Paulista de Futebol (FPF) repudiou na noite deste sábado (21) a fala machista do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, sobre a árbitra Daiane Muniz após a eliminação do Massa Bruta para o São Paulo nas quartas de final do Campeonato Paulista.

"É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques", iniciou a entidade em comunicado publicado nas redes sociais.

Para a FPF, a declaração reflete uma visão "primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol". A Federação destacou que conta com 36 árbitras em seu quadro e que trabalha para que esse número cresça.
Por fim, afirmou que vai encaminhar as declarações Justiça Desportiva para que as "providências cabíveis" sejam tomadas.

Falas machistas após eliminação

"Não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Eu acho que ela não foi honesta pelo que ela fez. [...] Era um sonho da gente chegar na semi ou até na final, mas ela acabou com o nosso jogo. Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para uns jogos desse tamanho, não colocar uma mulher", disse em entrevista após a partida.

Veja a nota da FPF na íntegra

É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo, neste sábado (21), pelo Paulistão Casas Bahia.
Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero.
A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça.

Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter. A FPF reforça todo apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres.

Por fim, a FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis.

Fonte CNN

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