Nova estação de tratamento de esgoto permitirá projetos ecológicos
Foto: reprodução/Prefeitura de Alagoinhas
Por Paulo Dias
Com passar do tempo, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto - SAAE - está dedicado a atividades ambientais cada vez mais com maior relevância que antes e com maior empenho: levar água á zona rural, aposentando os carros-pipa e despoluir os rios e riachos que cortam a cidade por meio do esgotamento sanitário.
Resultado de cerca de R$ 35 milhões em investimento, a Estação de Tratamento de Esgoto Aloísio Francisco Nascimento, (Sergipe) em funcionamento, já permite que surjam na cabeça do diretor do SAAE, Renavan Andrade ideias sobre, técnicas para revitalizar mananciais importantes como a Fonte dos Padres e as lagoas da Cavada e da Feiticeira. Maria das Graças, secretária de Obras e Projetos, por sua vez, programa implantar parques ecológicos em torno desses recursos hídricos, incluindo o Riacho do Mel e nascentes nos distritos. Boa União acabou de receber R$ 3 milhões para seu sistema independente de esgotamento sanitário, via Fundação Nacional de Saúde - Funasa, ajudando a proteger a sub-bacia do rio Subaúma.
A própria ETE Sergipe foi pensada muito em função da preservação da importante malha fluvial que corta o município. O Plano de Saneamento Ambiental, elaborado há mais de 20 anos, previa várias ETE’s, e a coleta do despejo do esgoto por bacias, aproveitando-se da gravidade como forma de economizar energia elétrica. Tanto que 20 ETE’s simplificadas foram construídas e ainda encontram-se em funcionamento, a exemplo de bairros como o Petrolar, 2 de Julho, Mangalô e nos condomínios.
Com a ETE- Sergipe, principalmente os dejetos da Bacia da Fonte dos Padres estão sendo tratados, compreendendo boa parte dos 40% do esgoto produzido na cidade, interligada a 100Km de redes coletora e a 15 Km de rede de recalque. A partir das obras programadas para serem executadas pelo programa Avançar Cidades, se atingirão 50% de coleta e serão desativadas mais quatro ETE’s simplificadas. Atualmente com o funcionamento da estação central, duas ETE’s simplificadas entraram em desuso. Considerando este incremento, a ETE central já necessitará de ampliação, em futuros projetos.
Para ser emitido com 99,99% de pureza no rio Catu, o esgoto de cerca de 6 mil domicílios dos 20 mil interconectados ao sistema leva três dias de depuração. Antes de ser bombeado, os dejetos passam por gradeamento e por uma caixa de areia, retirando boa parte dos elementos sólidos. Chegando na ETE-Sergipe, o composto passa por mais uma caixa de areia, segue também por bombeamento para quatro (4) Digestores Anaeróbicos de Fluxo Ascendente - DAFA, onde já ocorre a redução de parte da carga biológica nociva. O processo de depuração continua nas lagoas facultativas, estas mais profundas, apropriadas para decantação do resto de resíduos sólidos - lodo - com a atuação de bactérias aeróbicas e anaeróbicas ao mesmo tempo. A atuação das bactérias aeróbicas reduz o mal cheiro, atividade que se complementa nas lagoas de maturação, mais rasas para que recebam a contribuição da luz solar. A água que sai no final do tratamento serve para limpeza industrial - lava jatos etc. - e até irrigação em reflorestamento e paisagismo.
O abastecimento de água foi levado a comunidades da zona rural, aposentando o carro-pipa, contemplando 1400 moradores por meio da implantação de 12km de rede. A incorporação de espaços rurais ao sistema é um investimento de custo elevado. Para se ter ideia, na Estiva, com 6Km de rede, conectaram-se apenas 20 famílias, o adensamento populacional é bem menor. As demais localidades assistidas foram o Rio Seco, Colina do Sol, Pedra de Cima, Pedra de Baixo, Narandiba, Ponto do Beiju, Portões e Vila de São Pedro. Está prevista para este ano, a instalação de um sistema independente de abastecimento de água em Boa União em convênio com a Funasa. Estão projetadas também a interligação ao sistema das comunidades do Oiteiro, Rio Seco, Cangula, e Guabiraba.
Um assunto que tem levantado constantes discussões é o débito de energia com a Coelba em torno de R$22 milhões frente ao aumento da tarifa. Renavan informou que a dívida está sendo quitada, colocando a autarquia no status de adimplência. Isto permitiu a migração para o mercado livre de energia, viabilizando uma economia mensal de R$ 50 mil/mês, podendo chegar R$ 100 mil/mês. Outro fator que onera os custos de produção são as perdas de água, grande parte provocada pela importante quantidade de gatos, estima-se. Em Alagoinhas conta-se com 77 mil ligações, registrando 17 mil ligações inativas. É possível que no mínimo 10 mil delas sejam casos de ligações clandestinas.
Renavan explica que o combate ao gato de água deve ser efetuado com tecnologia para não se ficar enxugando gelo. Com os vazamentos não é diferente. Para tanto está sendo implantado um sistema de telemetria no Sobocó, que dirá quais bombas estão funcionando e com qual pressão. De forma digital e em tempo real se saberá onde ocorrem vazamentos, permitindo as operações de contenção com agilidade.
Outro fator que onera o custo da água é a falta de reservação. A construção de um reservatório exige investimento na casa de R$ 6 milhões, é o que se gasta em subsídio do transporte coletivo - algo a se pensar. Renavan pretende fazer uma auditoria da dívida, pois é possível que tenha havido equívocos nos cálculos realizados. Com a inadimplência, o SAAE pode fazer parte de um programa de eficiência energética da própria Coelba com repasse de R$ 2 milhões.
O valor cobrado com o reajuste, equivalente à inflação, está abaixo dos praticados pela Embasa. Em um consumo de 10m³, a Embasa cobraria - as bases de cálculo são diferentes - R$ 62,00. Já o SAAE requer um repasse de R$ 52,00, cerca de 14% a menos.
Quanto ao empréstimo contraído no valor de R$ 30 milhões, na gestão anterior, para implantação de um parque de energia solar no SAAE, Renavan explica que o escopo do financiamento foi alterado, possibilitando um gasto de R$ 9 milhões em bombas e equipamentos. Sendo o resto devolvido para a Prefeitura, que o empregou em drenagem e pavimentação. O diretor entende que a energia solar precisa ser empregada com base em estudos técnicos rigorosos. Para ele, há casos que é mais vantajoso comprar energia solar do que produzí-la.
Fonte Fala Gomes
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