Idosa morre partida ao meio e suspeito é advogado que já foi condenado por dois assassinatos
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Uma idosa de 72 anos morreu após ser atropelada na manhã da última terça-feira (20), na Avenida da FEB, em Várzea Grande, na Região Metropolitana de Cuiabá. O caso chocou pela violência do impacto e ganhou contornos ainda mais graves ao se revelar que o motorista responsável, o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, já foi condenado por dois assassinatos brutais no passado.
A vítima, Ilmes Dalmis Mendes da Conceição, atravessava a via quando foi atingida em alta velocidade por um Fiat Toro. Com o impacto, ela foi arremessada para a pista contrária e acabou atropelada por um segundo veículo. Ilmes morreu no local. Partes do corpo ficaram espalhadas pela avenida, que precisou ser totalmente interditada para o trabalho da perícia.
Paulo Roberto deixou o local sem prestar socorro e só foi localizado horas depois no Shopping Várzea Grande, a cerca de três quilômetros do ponto do atropelamento. Em depoimento, ele afirmou que não atropelou a vítima, mas que teria sido “atingido” por ela.
Segundo o delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), o condutor alegou que Ilmes colidiu contra a lateral esquerda do veículo. A versão, no entanto, é contrariada por imagens de câmeras de segurança analisadas pela investigação.
Os vídeos mostram que a idosa já estava praticamente concluindo a travessia da avenida, a menos de um metro do canteiro central, quando foi atingida. Não há registro de frenagem, desvio ou qualquer obstáculo à frente do carro que justificasse a colisão.
Apesar da gravidade da situação, o advogado fugiu do local. À polícia, ele disse que não parou porque o carro teria ficado “sem controle” e que precisou seguir até uma rotatória para conseguir manobrar.
Para o delegado responsável pelo caso, a explicação não se sustenta diante das provas técnicas.
“As evidências são muito claras. A via estava livre, com ampla visibilidade, e a pedestre já estava no fim da travessia. Bastava reduzir a velocidade ou fazer uma correção mínima no volante. Nada disso foi feito”, afirmou Christian Cabral.
Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil autuou Paulo Roberto por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, além de fuga do local do acidente. A investigação considera que o motorista assumiu o risco de matar ao trafegar em velocidade extremamente elevada.
HISTÓRICO
O atropelamento reacende a atenção para o passado violento do advogado. No fim da década de 1990, quando atuava como policial civil no Rio de Janeiro, Paulo Roberto matou o delegado Eduardo da Rocha Coelho com um tiro na nuca.
Após esse crime, ele fugiu do estado e passou a viver em Mato Grosso. Para não ser reconhecido, usou por um longo período um nome falso, apresentando-se como Francisco de Ângelis Vaccani Lima.
Em 2004, ele matou a própria companheira, a estudante de enfermagem Rosemeire Maria da Silva, de 25 anos, após descobrir uma suposta traição. A vítima foi atraída para uma emboscada, asfixiada e morta no quarto de um motel. Em seguida, teve os dedos arrancados e a cabeça separada do corpo, que foi posteriormente jogado em um rio e jamais encontrado.
Em 2006, Paulo Roberto foi condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato do delegado. No ano seguinte, recebeu uma pena de 19 anos de prisão pelo crime contra Rosemeire Maria.
Agora, ele volta a ser investigado por um novo episódio fatal, que resultou na morte de Ilmes Dalmis Mendes da Conceição e coloca novamente em evidência seu histórico de violência.
Fonte Bahia Noticias
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