Quando o smartphone nem pensava em existir

 Desconhecidos para a novas gerações, telefone fixo e internet discada já foram o auge da tecnologia e deram lições sobre logística e comprometimento nos encontros





Foto: Reprodução/Freepik

Por: Nardele Gomes no dia 09 de novembro de 2023 às 00:00

Reportagem publicada originalmente no Jornal Metropole em 9 de novembro de 2023

Que me perdoem os nascidos depois da década de 90, mas vocês não vão entender nada do que será dito aqui hoje. Vocês não viveram a era do telefone fixo. Nunca rodaram o disco pra ligar pra alguém. Vocês nunca tiveram que procurar uma posição confortável perto do aparelho, já que o fio não ia muito longe. Nunca viveram a ansiedade de esperar um telefonema, no tempo em que a família inteira compartilhava o mesmo número, e todo mundo precisava falar com alguém ao mesmo tempo.

Falando nisso, vocês jamais conhecerão a angústia de checar a cada 10 minutos se o telefone estava dado linha, e a cada toque do telefone, uma expectativa. Não havia identificador de chamadas, afinal. E não havia constrangimento maior nesta vida do que, durante uma ligação importante, seu pai pegar a extensão e dizer “já chega, também preciso usar o telefone”.

Lembro até hoje o número do telefone da minha casa, mas de vez em quando paro e penso quando alguém me pede o número do meu celular hoje. O tempo do telefone fixo era uma época cheia de peculiaridades que hoje parecem cômicas. Antes dos smartphones dominarem nossas vidas, a comunicação era uma aventura por si só.

Sabiam que marcar um encontro era uma verdadeira proeza logística? Hoje, um simples toque no celular resolve, mas naquela época, era preciso planejamento de guerra. Primeiro, você tinha que combinar o local e a hora com precisão cirúrgica, já que ninguém podia simplesmente mandar uma mensagem "vou atrasar 10 minutos" quando o trânsito travava. Acho que éramos mais sérios com compromissos.

Manter a linha desocupada era uma questão de honra. Você não podia usar a internet e o telefone ao mesmo tempo. Na verdade, usar a internet era uma experiência completamente diferente naquela época, com o som estridente da conexão discada. E saiba: nos dias de chuva, a ligação podia ficar cheia de chiados.

As crianças de hoje ficariam boquiabertas ao saber que antes os telefones não tinham tela sensível ao toque. Tínhamos que apertar botões físicos, e não tínhamos acesso a milhares de aplicativos divertidos. Ligações de vídeo? Nem os filmes de ficção científica ousavam supôr que isso aconteceria em tão pouco tempo.

Trotes, linhas cruzadas, telefone ocupado, hoje nada disso faz muito sentido, mas vale a nostalgia. O tempo passava de outro jeito. Não que eu queira voltar a esse tempo, Deus me livre.

Mas quem me dera.


Fonte Metro 1

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