CÍNTIA KELLY: Comissão da Mulher da Câmara de Salvador rebate advogado de Ederlan Mariano

 

Bnews - Divulgação Reprodução
Cíntia Kelly

por Cíntia Kelly

cintiakelly@yahoo.com

Publicado em 03/11/2023, às 07h00


A questionável linha de defesa do advogado Otto Lopes foi repudiada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Salvador. A coluna teve acesso, em primeira mão, à nota do colegiado. Otto defende Ederlan Mariano, acusado de matar a esposa Sara Mariano, cujo corpo foi encontrado parcialmente carbonizado em um matagal, no município de Dias d’Ávila, na semana passada. O caso ganhou repercussão nacional.

Ao defender o cliente, Otto traz elementos que mancham a reputação da vítima. Segundo o advogado, Sara teria traído Ederlan algumas vezes. Nas entrevistas concedidas à imprensa, o advogado insiste em trazer à tona supostos casos extraconjungais de Sara. Em 1º de agosto deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a famigerada tese da legítima defesa da honra em crimes de feminicídio ou de agressão contra mulheres.

Linha de defesa “ultrapassada e “cruel”

Em nota, a Comissão da Mulher da Câmara, presidida pela vereadora Ireuda Silva (Republicanos), diz ser “inadmissível a tentativa de atribuir a motivação de um crime tão bárbaro a supostas relações extraconjugais por parte da vítima, que sequer pode se defender”.  A linha de investigação abraçada por Otto Lopes é, segundo o colegiado, tão ultrapassada quanto cruel. Por fim, as vereadoras que compõem a comissão pedem que a Justiça “esteja atenta ao caráter de tais estratégias e cumpra seu papel, agindo com o rigor que o caso requer”.

Caso Ângela Diniz

O argumento de Otto é um em milhares ao longo das décadas. O caso mais emblemático remonta ao final da década de 1970, precisamente 1976. A socialite Ângela Diniz foi assassinada com quatro tiros no rosto. Os disparos foram efetuados por seu namorado Doca Street, com quem se relacionava há quatro meses. O primeiro julgamento aconteceu em 1979. Á época, o advogado Lins e Silva usou a tese da legítima defesa da honra para sensibilizar o jurado. Em seu discurso, o advogado chamou Ângela de promiscua e libertina. Com o lema ‘quem ama não mata’, o movimento feminista foi fundamental para reverter o desfecho do caso. Um novo julgamento aconteceu em 1981. Doca foi condenado há 15 anos por homicídio qualificado.


Fonte Bnews

 

 

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